O mundo é muito injusto. Eu tava reparando esses dias como tem gente que só se fode. A começar pelas mulheres. Eu não preciso nem falar de machismo, basta eu citar algumas clássicas injustiças que a mulher sofre. Quando estamos com vontade de mijar temos que achar um banheiro, não podemos simplesmente abrir a braguilha no meio da rua e nos aliviar. Rezamos sempre pra ter papel no banheiro. Passamos 5 dias por mês sangrando, com cólica, sem disposição pra nada, com dor no corpo todo, inchadas e com cara de cu. E os homens ainda reclamam que, antes de passar por isso tudo, nós passamos um único dia irritadas – como se quem sofresse mais com a irritação fossem eles. Para um homem, ter filho é fazer o serviço e, nove meses depois, ver o resultado. Não preciso nem dizer como as mulheres são injustiçadas nesse ponto, certo? Nós temos celulite. Temos que nos depilar. Fora outras coisas que são opcionais: arrumar o cabelo, usar salto, fazer regimes, etc. Essas coisas eu aboli da minha vida, já sou muito injustiçada só com o resto.
Esses dias fiquei chocada. Me deparei com um twit do PC Siqueira que dizia o seguinte: “Donuts de chocolate + café com leite fazendo a alegria da minha noite”. Não obstante, no dia seguinte ele falou mais uma: “Mais leite, café e donuts, porque eu preciso e mereço”. Esse é o mundo em que vivemos! Enquanto uns que comem Donuts e café com leite todos os dias não podem nem doar sangue por não ter peso suficiente¹, outros que comem 2 a 3 folhas de alface por dia com alguns copos de água (e ainda aproveitam o dinheiro economizado nos carboidratos para comprar revistas de dietas) continuam comendo 2 a 3 folhas de alface por dia com alguns copos d’água, na esperança de que ainda vão conseguir emagrecer. Honestamente, diante de tamanha discrepância, não há muito o que se fazer além de ir pra cozinha e comer um Donut.
Falando em revistas de dietas, vou fazer um parênteses aqui: estava eu na sala de espera do Dr. Tatonetti (um médico japonês acumpulturista que encosta no seu pulso e diagnostica pelo menos 42 problemas de saúde) aguardando a minha vez de ser furada quando olhei numa mesinha ao canto algumas revistas. Infelizmente, só tinha ‘Boa Forma’. Deve ser a mais barata, certeza. Mas eu não tava fazendo nada mesmo; entre fazer nada e ler receitas de gengibre com espinafre, fui ler. Achei uma matéria bacana sobre a liberação da maconha, uma propaganda do SWU (é, faz tempinho que isso aconteceu já) e, finalmente, o que despertou a alegria do meu dia: diretas! Isso mesmo, aquelas palavras cruzadas que eu tanto me divirto fazendo! Foi uma boa espera, eu só me arrependi de não ter levado a revista pra dentro da sala de acumpultura, onde fiquei por 40min com agulhas espalhadas nas minhas costas ao som de Enya (é assim que se escreve?). Além de divertidas, essas diretas me lembram do meu colegial, quando eu passava o dia inteiro fazendo isso. Até cheguei a comprar revistas disso pra fazer durante a aula. E depois eu não sei por que não passei no vestibular…
Mentira, eu não passei no vestibular por causa de outra injustiça do mundo: a nota de corte da primeira fase do curso que eu prestei (Audiovisual) na Fuvest foi 67! SESSENTA E SETE! Por que mesmo eu não quero ser fonoaudióloga, curso cuja nota de corte foi 27? Agora me digam, é ou não é uma puta falta de sacanagem? Nada contra futuros fonoaudiólogos, se é o que eles querem sorte a deles que não precisam se matar de estudar, mas por que a galera que presta audiovisual não podia ser menos capaz ou mais preguiçosa, hein? Fico imaginando então o que não reclamam os que querem medicina…! Como a vida já é muito injusta comigo (drama on) eu dei a sorte de mudar minha opção pra um curso cuja nota de corte foi 42. Porque 25 questões numa Fuvest fazem MUITA diferença.
Enfim, estamos aí, lutando para acabar com as injustiças do mundo. Afinal, se preocupar com a fome na África pra quê, enquanto temos tantos outros problemas mais urgentes, né?
Ps.: Eu não costumo dar uma de humanitária, não gosto disso. Só achei que a foto combinava com o fim do post. O que também não significa que eu não me preocupe com a situação dos… Ah, foda-se! Todo mundo é capaz de entender o que eu quero dizer. E se você não é, vaza daqui.
¹Pra você que não sabia, é preciso ter – no mínimo - 50kg pra doar sangue. Não que o PC Siqueira não tenha 50kg, na verdade eu não sei se tem ou não. Foi só uma metáfora.


Gabi. Parabéns novamente. Eu adoro vir aqui, ler um texto inteligente,descontraído,irônico na medida certa e agudíssimo, como tem que ser!